quarta-feira, 20 de abril de 2022

Inúteis históricos. Ei-los na atualidade!

Imagem: https://escolaeducacao.com.br/


Algo no cotidiano me fez relembrar o passado, um deja vu, diriam. Creio que foram as cenas dantescas protagonizadas pelos aspones, os bem-nascidos da nova geração ao defender seu lugar ao sol. Sim, deve ser isso mesmo.

Uma olhada nos livros de História e lá na Grécia antiga encontramos uma classe cheia de privilégios, que nada fizeram para merecer, mas podem ser percebidos nos mais elevados níveis da sociedade. Na atualidade também temos os bem-nascidos, que de igual forma, nada fizeram para estar onde se encontram, mas apenas lá estão por um suposto “merecimento” que não abrange a todos os cidadãos.

É fácil reconhecer um bem-nascido em nosso meio. Estão sempre rodeando alguém que idolatram para receber proteção, assumem os melhores cargos, embora na maioria das vezes sem o mínimo de compromisso ou zelo, apenas estão lá por ser seu lugar, dizem. As únicas competências que possuem são o dna, no caso dos mais puros e outros que galgam posições apenas por entrosamentos subservientes ou simplesmente por reconhecimento pelo esforço para a manutenção do establishment, embora não passem de simples sacolejadores de bandeiras partidárias.

E assim se confirma a teoria da História cícilica, tão bem descrita por Eugene O’neill em sua frase “Não há presente ou futuro – apenas o passado, a acontecer de novo e de novo”.

E tenho dito!

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Coleta seletiva

Imagem: https://www.larplasticos.com.br


Entre as modernidades implantadas na ilha da fantasia, agora temos a coleta seletiva de lixo. Sim! Após anos de especulações, promessas, cobranças e mudança de assunto, finalmente a coleta seletiva foi implantada nestas terras esquecidas.

É bem verdade que não se trata da separação em vasilhames separados para papel, vidro, plásticos, metal, orgânicos e não recicláveis. A seletividade se dá na escolha do que levar e de quem.

Dia desses, deixei o lixo no local para recolhimento, como de praxe, acomodado em sacola plástica e - suprema heresia - coloquei ao lado uma telha quebrada. Sim, uma telha quebrada, acreditando que seria recolhida juntamente com o restante, como já presenciei em outros locais. Mas, para surpresa minha, após o veículo passar recolhendo, percebi que não levaram uma telha quebrada. Ficaria menos indignado, pois dizem que se recolhe somente lixo doméstico, se não presenciasse esse mesmo tipo de material sendo recolhido em endereços diversos, de pessoas, digamos assim, favorecidas financeiramente. Para estes vale até se mudar o itinerário e atrapalhar o trânsito, porém em meu caso, tive que recolher “meu” lixo inconveniente. O futuro chegou. Somente as práticas ordinárias permaneceram.

E tenho dito!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Tudo não passa de barulho!

Imagem: https://twitter.com/aimeuouvidooo

Na ilha da fantasia, onde o transito é controlado nas festividades, depois, salve-se-quem-puder um problema é mais persistente que a “nova onda” da pandemia: o desenfreado tráfego de veículos de propagandas volantes.

Poucas coisas irritam mais que ser despertado aos domingos antes das sete da manhã por um barulho infernal de algum ofertando algo que não desejado. Pouco me importa se o sacolão da fulana ou o supermercado de sicrano vendem tudo a preço de banana. Domingo é dia de descanso, mas a fiscalização não fiscaliza. Além da concorrência desleal com outros comércios, pois a maioria dos anunciantes não utilizamos domingos como dia útil, desta forma quem o faz, utiliza má fé.

Temos legislação farta que abrange a situação, mas sem agentes aplicadores da lei, ela não passa de um amontado de letras, prosopopeia flácida para acalentar bovinos.

Nestas terras sem lei, basta possuir um veículo e uma caixa de som para se dizer locutor, comunicador e profissional de marketing e passar a incomodar a população. Não bastasse o barulho, os veículos em velocidade de tartaruga não trafegam pelos lados das ruas, precisam se deslocar sempre pelo meio da rua, para atrapalhar o já infernal transito local, como se precisasse disso para se atormentar os transeuntes. Mas não há quem perceba, não há agentes, não há regras, embora haja leis. Menos fantasias, mais ação.

E tenho dito!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Final de ano

Imagem:https://bioholics.wordpress.com/2012/09/20/vagalumes/


Ah, a magia do final de ano... natal, um período mágico. Mágico pra quem não se atem ao restante do ano, a quem passa o ano olhando o próprio umbigo e negligenciando o mundo ao redor. Hipocritamente no final do ano resolve ser a pedra filosofal que mudará tudo.

Um ano incrível se finda. Incrivelmente ruim. Mas teve a magia do natal com a esperança de neve e ursos polares. Teve a tal da empatia forçada pra parecer gente da gente, de ver o próximo se dando bem ao receber cestas básicas que devem durar o ano inteiro.

Ano de promessas, muita farofa e pouca carne. Mas isso não se pode falar pra não estragar o clima de magia no ar, mesmo que o futuro pareça passado.

Ano de realizações, de mudanças, expectativas e desilusões, por que não? Mas não devemos nos entregar ao determinismo. Se aproxima a luz no fim do túnel. Só espero que não seja de led, tal qual as instaladas nos postes, que iluminam igual vagalume nas garrafas que usávamos na infância.

E tenho dito!

domingo, 31 de outubro de 2021

Arquitetura e Segurança

Imagem: fotos.habitissimo.com.br/


Há tempo observo a relação entre a mudança na arquitetura de nossas casas e a segurança cada vez mais ausente. Mudança lenta e gradual, porém, incessante. 

Em um passado nem tão distante, as casas contavam com muro baixo, por vezes eram cercas de madeira, sem grades nas janelas ou portões. O tempo passou e o muro baixo foi ficando mais alto. Passou a contar com cacos de vidro, depois peças de aço pontiagudas, logo em seguida vieram as cercas elétricas e hoje, se quiser aumentar a sensação de segurança, acrescente ao muro alto a cerca elétrica e a concertina, sem esquecer das câmeras de segurança. Que lembranças das brincadeiras e conversas à noite nas calçadas, da volta das festas na madrugada, onde o maior perigo era a lembrança das histórias de assombração. Não se cogitava “perder” o relógio, a bicicleta ou aos mais afortunados, a motocicleta.

Nesse meio tempo, que evolução tivemos na segurança ofertada pelo estado que nos suga impostos para supostamente nos proporcionar o bem-estar social? Umas poucas viaturas, o efetivo depauperado que precisa se virar em servir à cidade, ao entorno e a penitenciária local, culpa de promessas falaciosas, que prometem uma visão particular de paraíso e entregam o cenário dantesco que vivemos. Ano que vem as mesmas promessas miraculosas se multiplicam, a solução mágica que vem como em um passe de mágica, abracadabra...

E tenho dito!

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Revendo arquivos, encontrei um texto de 2012 de meu antigo Blog, que poderia ter sido escrito hoje.

Imagem: Arquivo do Blog

O ano é 2232. A nave volta à Terra após viajar pelo espaço por décadas. Seus tripulantes nunca conheceram o planeta, apenas possuíam arquivos repassados pela Estação-Base, mas receberam como missão a tarefa de relatar o progresso havido.

O pouso não foi difícil. A pequena nave não teve dificuldades para aterrissar na área mais apropriada para isso. O grupo, ao descer, procura referencias para se orientar em seu primeiro contato com a terra de seus antepassados. Em uma grande placa, meio enferrujada e caída nos limites do terreno podia-se ler Futuras instalações do Estádio Municipal Pedro P... o resto não estava mais legível, devido à ação do tempo. Rapidamente, alguém lembrou de ter lido em algum lugar informações sobre esta obra importante, onde – dizia-se – os antigos se entregariam à prática de um esporte muito popular à época.

Continuando seu trajeto, desta vez em um veiculo apropriado e munidos de um mapa holográfico, resolvem percorrer uma antiga via que sempre pensaram em conhecer, dadas as informações sobre tudo que já havia ocorrido por lá. De onde estavam vislumbraram a longa avenida e o piloto tem um deja vu. Não pode ser – pensou. Consulta o pequeno computador de dados e vê uma foto do ano de 2015 e a avenida está lá, igualzinha, até mesmo as poças de lama!

- Povo preocupado em conservar sua memória, pensou. Sequer fizeram melhoramentos aqui para não alterar o patrimônio arquitetônico.

Mais à frente os agora exploradores tem dificuldade em seguir adiante, devido a um congestionamento de veículos, causado por um condutor que resolveu parar no meio da via pública para um bate-papo com outro condutor, pelo que notaram, aquilo era rotineiro. Sem perda de tempo, seguem por outra via e assim seguem suas andanças pela cidade. Aqui e acolá podem observar que as pessoas ainda se aglomeram para beber estranhos líquidos e conversar sobre coisas que fogem à compreensão humana, como uns tais realitys shows.

- Deixemos isso pra lá. Não viemos aqui para isso.

Mais à frente, encontram uma construção antiga, talvez a mais antiga que eles tenham visto até então. Inicialmente não compreenderam aquela multidão nas proximidades: bêbados, desocupados, funcionários, trabalhadores em geral, produtos pelo chão e ocupando calçadas, mas depois ficaram sabendo que naquele lugar os nativos se abasteciam de víveres essenciais, como carnes e frutas. Acharam tudo meio desajeitado e não deixaram de reparar na sujeira do local. Possivelmente haveriam pequenos animais e insetos no meio da balbúrdia. Melhor não parar ali. Estranharam o fato de que nos registros oficiais que dispunham nos arquivos, ali deveria ser bem diferente do que era. Inclusive, lembram de ter visto maquete digitalizada onde o espaço era composto por dois andares e uma escada transportava automaticamente as pessoas para cima e para baixo.

Exaustos e totalmente tostados pelo sol abrasador – não viram uma única árvore em toda a andança – o grupo explorador resolve voltar à nave, não sem antes constatar que enquanto esquadrinhavam o local, alguns de seus pertences pessoais desapareceram misteriosamente e eles não entenderam como isso pode ter ocorrido. Melhor não tentar entender mais nada, comentaram entre si. As coisas por aqui continuam como antes.

Sua missão chegou ao fim, pois deveriam registrar as mudanças em relatório, mas diante de tudo que viram, resolvem apenas reafirmar tudo que lá havia registrado. E antes que fossem acidentados por uma multidão enlouquecida que conduzia antigos veículos motorizados de duas rodas, rumaram para a nave e partiram sem olhar para baixo. 

No relatório agendam: próxima visita em 3152. 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

A cidade que vejo

Imagens: Arquivo pessoal.


A centenária cidade que hoje festeja mais uma data já viu dias melhores e outros bem piores. Se ainda não é a ideal, já podemos respirar sensíveis ares de mudança, em uma escalada que se espera seja constante.

Os problemas que vivenciamos vêm de longe e permanecem, a exemplo da falta de organização territorial. Ruas, praças e avenidas são feitos como no início do povoamento, estreitas vias para tráfego de animais. Outro nó górdio é o transito, que só piora com o passar dos dias, enquanto se aguarda milagrosamente que a educação resolva, sem restrições aos delinquentes, como a punir quem anda corretamente.

Temos um centro que lentamente ganha forma e brilho e perde memória histórica. Os bairros por sua vez aguardam na fila para também receber praças, iluminação, urbanidade... civilização. A cidade não pode ser resumida a imagens da igreja, praças do centro e cachoeira. Tem vida pulsante nos bairros, na zona rural, igualmente apta a receber incentivos e melhorias.

São 101 anos de avanços e retrocessos. O empreendedorismo da população continua como principal responsável por fomentar o desenvolvimento da cidade. De cidade pequena e pacata a aspirante a polo comercial, administrativo e turístico, onde não se pode mais sentar à porta para conversar sem ser incomodado por aqueles que pedem um trocado para “um lanche”, que se sabe, compram drogas. O banho da beira rio aos finais de semana foi trocado pelas piscinas resplandecentes, que refrescam o ego e ardem os olhos com urina e outras impurezas. O sossego do lazer no final de semana foi substituído pela barulheira do som ensurdecedor e idiotizante dos carros. A modernidade nos deu lâmpadas de led nos postes e assalto nas ruas. Enfim, o progresso.

E tenho dito!