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quarta-feira, 10 de abril de 2024

"Tudo como dantes no quartel de Abrantes"

Imagem: Disponível em redes sociais.


Após meses sem postar, resolvi aparecer. Como de praxe, não tenho elogios, deixo-os aos aspones. Me atenho a fatos que a – cof-cof – imprensa local “esquece”, entretidos que estão em merecer suas 30 moedas de prata. Seus tilintares não me agradam. Mas, pelo menos... Eu vou tomar um tacacá...

Ao fato: após anos de promessas, mandatos findos (felizmente) e outros em curso, o principal problema da cidade reapareceu a toda carga: a avenida/rio, formada em pleno centro da cidade. Palco de memoráveis festividades, outras nem tanto, a avenida Petrônio Portela sofre de mal crônico, a falta de zelo. Da população, que a utiliza como pista de corrida, depósito de lixo, estacionamento e também das sucessivas gestões, que vingam prometendo as galerias. Sim, as gloriosas e inatingíveis galerias.

Na data de hoje, memorável 10 de abril, chuva torrencial diluviana atormentou a vida de grande parte da cidade, daqueles que habitam a planície. A chuva torrencial em questão de minutos inundou casas, comércios e o que mais havia em seu curso. Perdas materiais, aborrecimentos, sujeira nas residencias e outros males. Tudo isso parece cena de décadas passadas, mas se repetiu hoje, reativando memórias de promessas não cumpridas. Mas, pelo menos... Eu vou tomar um tacacá...

Temos um cenário de servilismo que se repete pelas ruas e ecoa em locais que na prática, deveriam representar interesses outros, que não os seus. O desejo de agradar é maior que o de servir. Parte da população assiste boquiaberta aos fatos, se reclamam e compartilham iras nas redes sociais e depois... calam miseravelmente, subjugadas por promessas de obras paradisíacas e inatingíveis, mesmo desnecessárias, quando o básico fica relegado ao ostracismo. Mas, pelo menos... Eu vou tomar um tacacá...

Não há mais espaço para tantos “parabéns”, “congratulações”, “a cidade agora é outra”. Chega de palavras ocas. Estas o vento leva. Ação, senhores. Chega de se apequenar em troca de espólios. Criem coragem! Basta! Tudo tem limites e a submissão rasteira, o ato de engolir sapos não deveria ser vossas realidades. Honrem a confiança que lhes foi depositada. Toda ela foi na esperança de que fariam algo melhor que o que tinhamos no passado. A cidade não necessita de pinguins de geladeira, que apenas sugam o erário.


O trecho do hino “Território bendito e ordeiro,
[...]
De homens nobres de povo altaneiro,
De Mulheres formosas, gentis[...] faz menção a pessoas boas, não tolas (espero).

O que já foi realizado pensando em resolver a questão das águas na avenida? Nada. Todos os esforços e recursos se alinham em festividades frívolas, em detrimento de questões primordiais, estas, relegadas ao período eleitoral, como catapulta de mandatos. Mas, pelo menos... Eu vou tomar um tacacá...

E tenho dito!

segunda-feira, 6 de março de 2023

Uma odisseia no espaço - versão cocais

Imagem: https://www.wemystic.com.br

Republicação de postagem do ano de 2012.

O ano era 2232. A nave volta à Terra após viajar pelo espaço por décadas. Seus tripulantes nunca conheceram o planeta, apenas possuíam arquivos repassados pela Estação-Base, mas receberam como missão a tarefa de relatar o progresso havido. O pouso não foi difícil. A pequena nave não teve dificuldades para aterrissar na área mais apropriada para isso. O grupo, ao descer, procura referencias para se orientar em seu primeiro contato com a terra de seus antepassados. Em uma grande placa, meio enferrujada e caída nos limites do terreno podia-se ler Futuras instalações do Estádio Municipal P... o resto não estava mais legível, devido à ação do tempo. Rapidamente, alguém lembrou de ter lido em algum lugar informações sobre esta obra importante, onde – dizia-se – os antigos se entregariam à prática de um esporte muito popular à época.

Continuando seu trajeto, desta vez em um veiculo apropriado e munidos de um mapa holográfico, resolvem percorrer uma antiga via que sempre pensaram em conhecer, dadas as informações sobre tudo que já havia ocorrido por lá. De onde estavam vislumbraram a longa avenida e o piloto tem um deja vu. Não pode ser – pensou. Consulta o pequeno computador de dados e vê uma foto do ano de 2015 e a avenida está lá, igualzinha, até mesmo as poças de lama! - Povo preocupado em conservar sua memória, pensou. Sequer fizeram melhoramentos aqui para não alterar o patrimônio arquitetônico.

Mais à frente os agora exploradores tem dificuldade em seguir adiante, devido a um congestionamento de veículos, causado por um condutor que resolveu parar no meio da via pública para um bate-papo com outro condutor, pelo que notaram, aquilo era rotineiro. Sem perda de tempo, seguem por outra via e assim seguem suas andanças pela cidade. Aqui e acolá podem observar que as pessoas ainda se aglomeram para beber estranhos líquidos e conversar sobre coisas que fogem à compreensão humana, como uns tais realitys shows. - Deixemos isso pra lá. Não viemos aqui para isso. Mais à frente, encontram uma construção antiga, talvez a mais antiga que eles tenham visto até então. Inicialmente não compreenderam aquela multidão nas proximidades: bêbados, desocupados, funcionários, trabalhadores em geral, produtos pelo chão e ocupando calçadas, mas depois ficaram sabendo que naquele lugar os nativos se abasteciam de víveres essenciais, como carnes e frutas. Acharam tudo meio desajeitado e não deixaram de reparar na sujeira do local. Possivelmente haveriam pequenos animais e insetos no meio da balbúrdia. Melhor não parar ali. Estranharam o fato de que nos registros oficiais que dispunham nos arquivos, ali deveria ser bem diferente do que era. Inclusive, lembram de ter visto maquete digitalizada onde o espaço era composto por dois andares e uma escada transportava automaticamente as pessoas para cima e para baixo.

Exaustos e totalmente tostados pelo sol abrasador – não viram uma única árvore em toda a andança – o grupo explorador resolve voltar à nave, não sem antes constatar que enquanto esquadrinhavam o local, alguns de seus pertences pessoais desapareceram misteriosamente e eles não entenderam como isso pode ter ocorrido. Melhor não tentar entender mais nada, comentaram entre si. As coisas por aqui continuam como antes. Sua missão chegou ao fim, pois deveriam registrar as mudanças em relatório, mas diante de tudo que viram, resolvem apenas reafirmar tudo que lá havia registrado. E antes que fossem acidentados por uma multidão enlouquecida que conduzia antigos veículos motorizados de duas rodas, rumaram para a nave e partiram sem olhar para baixo. No relatório agendam: próxima visita em 3152.