Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de abril de 2023

A cidade sobre seus escombros

Imagem: Google


Eis que a modernidade tenta dar as caras nestas terras de verdes ramagens. Desta feita, o coelho da cartola é suprimir o restante do combalido, esquálido e incipiente patrimônio histórico do município para dar lugar a um moderno centro cultural e artesanal. Deve ser aproveitado o momento para criar a cultura também, a menos que se queira exibir ad eternum festivais de quadrilhas e uma ou outra encenação, além de expor anéis de tucum e panos de prato decorados.

Para dar vazão às intenções, a proposta é que seja substituído (demolido?) o mais antigo clube de festas da cidade, local de memoráveis encontros festivos, formaturas, matinês, carnavais e outros ao longo de décadas. Se é verdade que o clube amarga no ostracismo, também é verdade que os membros sócios podem e devem reagir para que se resolva a questão no âmbito particular, decidindo qual caminho seguir.

Se erguer nova cidade sobre os escombros da antiga é preocupante. Nesta de modernidade, a cidade já perdeu a mais antiga escola, que poderia no mínimo ser convertida em centro administrativo ou algo que o valha. Entre todas as opções, escolheram a pior e o prédio foi demolido dando lugar à sede de outro poder. Tudo isso sob o olhar complacente da população manietada e ensimesmada.

Assistimos à tentativa de reescrever a história com as próprias e novas tintas, no melhor estilo “daqui pra frente”, ao largo de qualquer pensamento contrário. E o que diz o conselho do patrimônio histórico? Temos isso? Existe preocupação em reter no tempo algo que remonte ao passado da cidade? Não somos inaugurais. A sociedade moderna só chegou ao atual nível de conhecimento por alicerçar suas ações baseadas no passado. O passado de uma cidade, suas memórias afetivas são coisas que não se consegue manter apenas em “uma sala” para contar à descendência como era vida de outrora. Que referência temos? É preciso apagar o passado construído a duras penas para dar lugar à modernidade efêmera em seus desejos? Segundo o IBGE, a cidade tem área territorial de mais de 908,748 km2 e se quer modernizar justamente sobre escombros da história ainda resistente.

O que resta de património histórico no município, que ajude a posteridade a conhecer seu passado? A memória de um entrevero entre nativos e ciganos? O futuro, o almejado futuro, nada mais é que uma projeção de nossas expectativas, lastreadas em experiências passadas.

E tenho dito! Tic-Tac.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O ocaso da cultura popular

Imagem: www.guiaculturalsp.com.br

Após o período em que os antigos festejavam as quadrilhas juninas e por extensão, a cultura popular, fiquei assuntano a situação por que passa a cultura nestas terras.

Em particular, me atenho ao bumba-meu-boi, de antiga tradição em nossa cidade. Se na distante infância era comum assistir a apresentações do boi de pano, aos poucos esta tradição foi sendo suplantada e hoje quase totalmente esquecida, sobrepujada por outras manifestações que lembram tudo, menos cultura na forma que se conhecia. A simplicidade nos trajes e apresentações foi superada pelo mercado que deu-lhe novas vestimentas, apapagaiadas, meio termo entre fantasias carnavalescas e outra coisa comercializável qualquer. Se no distante passado os componentes de grupos se dispunham a confeccionar suas vestimentas simples, porém, representativas, a onda no momento é cobrar do governo que forneça subsídios e culpá-lo quando não conseguem, desta forma desconfigurando a cultura como legítima representante do povo, de suas tradições, memórias, significados e valores cada vez mais distantes.

Pela internet, assisti às apresentações locais do final de semana, onde vi um bravo grupo de bumba-meu-boi que resiste na cidade. Simples, poucos componentes, nem chama a atenção da maioria dos populares, pois não é profusamente carnavalesco e portanto, considerado arcaico. Por outro lado, se vê que outra prática cultural, as quadrilhas, foram “atualizadas” ao gosto dos tais novos tempos e totalmente desfiguradas, convertidas em apresentações enlatadas, formações vãs e roupas espetaculosas, mais ao gosto padronizado que se vê nas mais diversas festividades país afora, cujas apresentações se resumem a dança aculturada e gritos que se adequam a outras situações. Em especial a nova onda de passar mensagens fofas antes/durante as apresentações é mais uma triste faceta desta atualização modernosa.

Triste fim da cultura. De representante do povo a vitrine comercial.

E tenho dito!