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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A vida imitando a arte, ou não!

 

Fonte imagem: https://portalrm.com.br

Há algo de poeticamente perverso e ilusório na forma como obras públicas conseguem existir apenas no plano da inutilidade prática. O cemitério de Sucupira, aquele da minissérie televisiva consagrou-se como um monumento à morte que nunca chegou, ergueu-se como um símbolo daquilo que foi feito para cumprir tabela – um espaço solene, vazio não por descaso, mas por absoluta falta de cumprimento de finalidade. Afinal, ninguém morreu. E que inconveniência tremenda para quem precisava justificar a grandiosa obra com suntuosos discursos.

Em Cocal City a história se repete com requintes de ironia administrativa: casas destinadas aos alagados que jamais conheceram um morador sequer. Não por atraso, não por falha técnica, mas porque o inverno, esse sabotador climático oportunista, resolveu não colaborar com a tragédia. Sem enchente, sem desespero, sem lama até o joelho, restaram apenas paredes erguidas para um sofrimento que não veio. Uma politica publica dependente da desgraça alheia acabou traída pela ausência dela.

No fim das contas, tanto o cemitério da fictícia Sucupira quanto as casas compartilham o mesmo destino: são monumentos ao planejamento invertido, onde a logica é torcer pelo pior para justificar o gasto. Se por lá faltaram mortos, por cá, faltaram alagados/flagelados. E assim seguimos, com obras que dariam certo – se a realidade tivesse a gentileza de fracassar.

E tenho dito!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

A cidade dividida

 

Imagem: Genilson Castro/Arquivo do Blog.

A cena é inusitada. A cidade, que sempre almejou título de importância na região, de repente, se tornou alvo de disputa de quem faz mais, ou quem atrapalha mais pela simpatia dos elei...digo, cidadãos.

Assistimos diariamente nas mídias sociais a disputa “pra mostrar trabalho”, que dividiu a cidade e as obras nela feitas em obras do deputado e obras da prefeitura. Um faz e o outro também. Só faltou combinar o que fazer. Nesta disputa sobra asfalto e falta o essencial, como o saneamento que seria básico.

Estamos em pleno período da seca, que seria propício para a realização de obras importantes como as galerias da avenida Petrônio Portela. Obra de grande porte, porem invisível aos olhos dos eleitores depois de pronta, deveria ser a prioridade dos digladiadores, obra que mudaria um triste cenário anual, amplamente divulgado nas redes sociais e imprensa. Uma vergonha sem igual.

Enquanto os contendores se esforçam em assumir a paternidade de obras, o cidadão assiste abismado e se pergunta se os dois lados não deveriam lutar pela cidade por inteiro e não a dividir para conquistar aos poucos, por áreas específicas.

Não demora e o inverno chega, com suas chuvas intensas, avenida novamente alagada e as novas ruas asfaltadas sem ligação umas com as outras, pois são “filhas de pais separados”.

E tenho dito!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Previsões Previsíveis 2020


 
Imagem: https://www.dm.com.br
Ah, 2020! Ano do centenário da cidade!

- Sob este pretexto, obras serão iniciadas e algumas até concluídas, para a felicidade geral dos elei...digo, dos cidadãos.
- A cidadania será ressaltada em cada discurso mequetrefe;
- Aumentará consideravelmente a quantidade de novos "filhos da terra", por outorga e reconhecimento de seus lacaios;
- A quantidade de novo amigos de infância atingirá novo pico!
- A - cof-cof - imprensa continuará a ser uma extensão dos gabinetes que melhor pagam;
- A avenida será inundada centenas de vezes, causando os transtornos de sempre, mas ressurgirão as promessas de que tudo será resolvido no próximo verão...
- O asfalto chegará ao quintal das residências;
- O campo de futebol de botão, aqui apelidado de estádio, continuará a permear discursos desenvolvimentistas e eterna promessa de lazer aos jovens;
- “O melhor” e mais preparado candidato vencerá as eleições municipais!

Enfim, tudo continuará como era antes, mas a cidade será centenária e não terá bons motivos a comemorar, a não ser somente os grupos que farão a partilha do poder.