sexta-feira, 22 de maio de 2020

Vigiar e Punir

Imagem: https://www.otaviosaleitao.com.br


Parcialmente superada a inércia inicial no combate à pandemia que assusta a todos, eis que vem a reação - única e possível - para resolver a situação em Cocal City: vigiar o cidadão em suas particularidades e punir aos que insistem em descumprir decreto municipal de quase estado de sítio.

Em tempos de pandemia, autoridades recomendam e parte da população não atende às indicações para uso de máscara, diminuição da circulação pelas ruas, aglomerações de pessoas, funcionamento de comércios e outras mais. Tendo em vista que mesmo com a publicação dos “decretos para inglês ver”, se observa o descumprimento parcial dos termos recomendados e, desta forma, para sanar estes atos de desobediência, foi estabelecido que poderá ser multado quem continuar a descumprir a matéria, do cidadão ao proprietário de estabelecimentos comerciais.

Chegamos a esse ponto após o total despreparo na condução inicial de medidas de proteção no município, quando se via (vê?) diversos exemplos de falhas na proteção à população na parte que lhe cabe, como a exemplo de outros municípios, na instalação de barreiras sanitárias preparadas para cumprir funções pré-estabelecidas pertinentes à situação e não apenas posar para fotos.

Em resumo cabe à população obedecer às regras impostas pelo município, com sanções pecuniárias que superam aos desejados R$600,00 da ajuda emergencial do governo federal, mas ao município que não se mostrou preparado para conduzir ações de enfrentamento, não foi dispensada a atenção (vigiar) e sequer se cogitam ações de acompanhamento e controle (punir).

E tenho dito!

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Golpe de vista

Imagem: http://aumstudeo.blogspot.com


Nossos políticos locais sofrem de sérios problemas de visão. Conseguem ver os problemas do governo a nível federal, mas se mostram incapazes de qualquer ação inovadora e oportuna no município. Sempre um passo atrás de medidas adotadas.

A todo momento se pode ver a valiosa participação de nossos estimados políticos dando pitacos na administração federal, indicando ministros, condução de obras, serviços e outros mais, como se não houvesse quem o faça e com melhor capacidade. Enquanto se debruçam sobre a macro política, localmente vemos um total desarranjo na condução dos destinos do município.

Acompanhando o desenrolar das ações de combate à pandemia em Cocal City, se pode observar claramente a completa inaptidão a qual os cidadãos estão submetidos. A expressão popular “mais perdido que cego em tiroteio” nunca foi melhor empregada do que agora, para definir a situação. Um desencontro de informações, muitas mãos e poucas ideias, posições-chave preenchidas apenas por conveniências políticas, são algumas das mazelas.

Sem ideias para a cidade, resta contestar ações do governo federal, os critérios de nomeação em cargos federais, embora nossos “especialistas” devessem se ater em nível de município, e aqui firmemente contestar, medir capacidades dos indicados aos cargos, se estes dispõem de qualificações ou apenas carregam um título de eleitor. Enfim, vislumbrar um pouco além do óbvio. Que legal seria se a lei que impedia doadores de campanha de ocupar cargos em comissão tivesse sido aprovada aqui. Teria evitados algumas midiáticas e desastrosas atuações.


Não enxergam o que acontece sob os próprios narizes, mas se atrevem a mudar o horizonte. Experts que são, preferem dirigir suas atenções ao país. O saneamento básico municipal, que seria o básico, que fique para os próximos. A ilha da fantasia é aqui.

E tenho dito!

sábado, 29 de fevereiro de 2020

A ilha da Fantasia

Imagem: https://www.papeiseparede.com.br



O tempo passa, o tempo voa e a ilha da fantasia continua numa boa.

Apesar da realidade impactante do descaso no município, o que mais se vê na – cof-cof – imprensa local é a venda de imagem de um lugar que dá certo, terra de oportunidades. O que se vende é a imagem de uma ilha da fantasia aos cegos ideológicos e aos mercenários que se locupletam aproveitando desta situação.

O território bendito e ordeiro, aquele do hino, se mostra um lugar de acomodados e extasiados. Os primeiros, com a situação retrógrada recorrente; quanto aos outros, estes se acotovelam para um lugar ao sol ao lado de quem acumulou meios, a tal estrutura, para se destacar como alpinista social, almejando o poder e suas benesses, a título de salvador da pátria.

A um observador mais atento se apresenta um choque de realidade entre o que lê/escuta e o que se presencia pelas ruelas escuras, enlameadas, esburacas e muitas, agora asfaltadas.

É risível acompanhar a autoimagem administrativa passada e documentada do dever cumprido que se instalou nestas paragens, dando ciência a todos que se contentam apenas em absorver informações apresentadas. Como assim, tudo caminhando certo para o novo espetáculo do crescimento que virá, desde que se prolongue o agonizante mandato?

Se continuar é ruim, mudar seria péssimo? Que magia fará um neo-mandatário para resolver a caótica situação local, quando se ver “engessado” pelos inúmeros e absurdos acordos a que se submeterá para conseguir lograr êxito na campanha?

A luz no fim do túnel é apenas o trem voltando, carregado de promessas.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O carnaval e os bobos da corte

Imagem disponível em http://www.tribunadainternet.com.br/


A cidade encantada, onde tudo corre às mil maravilhas foi presenteada com uma imponente festa de carnaval. Serão 2 dias de folia na avenida-rio. Atrações espetaculosas, trânsito enlouquecido, mentes entorpecidas, lascívia, dedinhos pra cima e as músicas de sempre, como sempre.

Na cidade estagnada, o uso de verbas públicas para financiar um sonho pessoal parece ludibriar muitos adeptos. Dinheiro que seria melhor empregado em iluminação pública, reforma de praças ou mesmo melhorar a infraestrutura na cachoeira do urubu, servirá apenas para o deleite do momesco, em uma clara amostra do que virá, no caso do delírio conquistar mais adeptos.

A cidade que padece com a falta de segurança, limpeza das vias públicas, de praças, atendimento básico de saúde, educação no trânsito e uma miríade de problemas, será palco de 2 dias de festa descabida, passarela para inflar egos. O local não poderia ser mais simbólico: a avenida submersa, que atrai atenção de candidatos a cada 4 anos, que é um símbolo maior do descaso e despreparo de sucessivas administrações que não resolvem o problema.

As mentes por trás da dionisíaca festa parecem seguir à risca o provérbio oriental: “Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça, porque não tem solução.Esqueçam os problemas e caiam na folia, afinal, quem não gosta de samba...

E tenho dito!



terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Sobre Cultura e oportunismo

Imagem: https://www.sensacionalista.com.br/


O período de caça aos eleitores foi aberto em grande estilo por estas terras. Gregos e troianos em pleno embate já no primeiro mês do ano, quando componentes da casa do povo se mostraram arredios a seguir obedecendo como de costume, se abriu uma clareira no mar de ignorância e ao final de tudo, uma linda ciranda para celebrar as pazes, com oratórias dignas de Demóstenes.

O grande tema da cisão política, aparentemente, foi (?) a aprovação do orçamento do município, com festival de bons modos para todos os lados. Coisa nunca vista antes. Entre um cochicho e outro, uma ou outra especulação, se chegou a um meio termo – ou meia-sola – que poria um ponto final na questão, antes que o mundo civilizado resolvesse intervir.

Em um dos lances da pendenga, se resolveu redirecionar recursos que suspostamente alavancariam a abissal cultura local e passaram para a claudicante área da saúde. Tudo ok, fim da questão, forças ocultas voltaram ao repouso. Mas eis que a fina flor dos defensores da cultura e esportes resolvem se mostrar ao mundo, defendendo seus interess... digo, interesses do povo, faminto por cultura.

Os discursos fervorosos em redes sociais passaram a condenar o malfeito e malfeitores, que deixaram a ver navios os pródigos ícones culturais da cidade, que após um estalar de dedos passou a ser grande produtora de cultura, embora não se veja aqui ou ali mais que espetáculos piegas e outros sumidouros de verbas. Se chegou ao cúmulo de afirmar que tal ato perpetrado pela “oposição” levaria ao abismo o município, como se cultura subsidiada fosse mais importante que a saúde para os munícipes. Desde que tenho conhecimento, o que se tem de cultura são festivais de folguedos – decadentes -, que podem ser bancados pela iniciativa privada ou pelos próprios ícones culturais, desde que se deixe de lado os trajes espalhafatosos que se tem visto ultimamente. Menos farofa, mais carne.

E tenho dito!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Previsões Previsíveis 2020


 
Imagem: https://www.dm.com.br
Ah, 2020! Ano do centenário da cidade!

- Sob este pretexto, obras serão iniciadas e algumas até concluídas, para a felicidade geral dos elei...digo, dos cidadãos.
- A cidadania será ressaltada em cada discurso mequetrefe;
- Aumentará consideravelmente a quantidade de novos "filhos da terra", por outorga e reconhecimento de seus lacaios;
- A quantidade de novo amigos de infância atingirá novo pico!
- A - cof-cof - imprensa continuará a ser uma extensão dos gabinetes que melhor pagam;
- A avenida será inundada centenas de vezes, causando os transtornos de sempre, mas ressurgirão as promessas de que tudo será resolvido no próximo verão...
- O asfalto chegará ao quintal das residências;
- O campo de futebol de botão, aqui apelidado de estádio, continuará a permear discursos desenvolvimentistas e eterna promessa de lazer aos jovens;
- “O melhor” e mais preparado candidato vencerá as eleições municipais!

Enfim, tudo continuará como era antes, mas a cidade será centenária e não terá bons motivos a comemorar, a não ser somente os grupos que farão a partilha do poder.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Procura-se


Após assistir ao suntuoso desfile cívico no 7 de setembro, com todo o entusiasmo demonstrado pela conservação da floresta amazônica, fiquei a imaginar que se a elite pensante local se interessa pelos problemas mais distantes, de igual forma se ateriam aos que já temos em nossa cidade.

Ato incontinenti, passei a lembrar da campanha pelo fim das sacolas plásticas, que ficou na moda enquanto passava na TV e alguém faturava com a venda de sacolas não descartáveis. À época, se dizia que as sacolas plásticas representavam perigo, porque animais terrestres ou marinhos comiam as sacolas e morriam; que as sacolas nos aterros demoravam 4 séculos para se decompor e outros aforismos alarmantes. Enfim, a campanha pedia o fim das sacolas, pela sobrevivência da humanidade.

GenilsonCastro/Arquivo pessoal

Dia desses em visita à beira rio, registrei a imagem acima e fiquei a pensar: nestes dias os cidadãos politicamente engajados e corretos (aqueles que organizaram o patriótico desfile) pedirão o fim das geladeiras, pois seus restos vão poluir o rio longá e exterminar toda a vida em seu curso e mais aquele discurso apocalíptico de sempre e, para grande surpresa, no outro fim de semana voltei ao mesmo local e lá estavam os mesmos destroços do eletrodoméstico, intocáveis, poluindo a paisagem e sem vivalma que se digne em recolhe-los. Por onde andam os arautos do apocalipse ecológico? Ainda procurando sinais de fumaça e girafas na Amazônia?

E tenho dito!