quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A sorte está lançada

Imagem: https://www.opetroleo.com.br/

A frase teria sido dita por um pensativo general Júlio César às margens do rubicão, antes de se lançar até Roma, onde foi aclamado imperador. Desde então a frase passou a significar decisão tomada de forma irreversível, com resultados incertos.

De igual modo a frase define no momento em que temos o poder de decidir quem, entre os nomes propostos, conduzirá o destino do município pelos próximos 4 anos ou... até que a justiça decida o contrário, provocada pelo esperneante derrotado.

Por meses a fio, a população foi exposta às propostas dos candidatos, extenuantemente. Após meses de preparação é chegada a hora de testar as ideias lançadas. Se no período pós-eleição tudo for cumprido já são outros quinhentos.

Se por um lado a pandemia afastou os candidatos de nossas casas, por outro os inseriu com mais força nas redes sociais, nos privando assim do desfrute de uma seara ainda pouco explorada e livre desse infortúnio.

No domingo muitas ilusões serão desfeitas e outras postergadas, mas o melhor ficará para o início do ano, quando as promessas idílicas darão lugar

À realidade de um município que pouco faz para gerar rendas, vivendo basicamente de passar o pires nas demais instâncias de governo.

Mas... reclamações já não adiantarão. O que tinha de ser feito já foi: a sorte está lançada. 

E tenho dito!


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Panoramas centenários - III

O programa Academia da Saúde do Governo Federal tem como objetivo principal contribuir para a promoção da saúde e de modos de vida saudáveis, a partir da ação de profissionais qualificados, que atuarão em polos dotados de infraestrutura adequada e construídos especialmente para esse fim. Assim diz a lenda.

Partindo destas premissas básicas e pensando cada vez mais na população, foi iniciado em Esperantina um projeto de construção de academias pelos bairros da cidade. Embora algumas tenham sido concluídas a passo de tartaruga, outras, como esta da imagem que ilustra a matéria, aguardam conclusão há meses.


Imagens de arquivo.

Para que esta em questão fosse construída, parte de uma escola da rede municipal foi sacrificada. Quando se precisar ampliar as dependências da escola não haverá mais espaço, pois este foi tomado por uma academia pessimamente localizada, em área que sofre com o excesso de água proveniente de outros bairros e que inunda constantemente os arredores do local. Pensando bem, pegaria bem uma piscina olímpica no local. Água não falta.

Por falta de um Plano Diretor, a cidade cresce desordenadamente desde sua fundação, com as mesmas ruelas em que os vaqueiros utilizavam no pastoreio do gado sendo usadas como vias urbanas, estreitas, com poucas e irregulares calçadas, vez por outra transformadas em extensão das prateleiras dos comércios.

E tenho dito!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Panoramas centenários - II

 

Imagem: Anel viário/Genilson Castro©

O anel viário da cidade de Esperantina, que veio como alternativa para melhorar o trânsito ao desviar o tráfego do centro da cidade, se transforma em lixão a céu aberto.

Visto como avanço urbanístico ao ser entregue à população, o anel viário, além da função de via normal de fluxo de veículos, se converteu em local para práticas esportivas, como caminhadas e ciclismo e ultimamente como depósito de lixo, das mais variadas espécies: lixo doméstico, material de demolição, aparelhos eletrônicos, animais mortos... não há gestão ou argumento que vença a ignorância deliberada e gratuita.

A população que tudo cobra do poder público mostra sua cara ao depositar lixo nas bordas da pista. Incautos já incendiaram o lixo, com grande risco do fogo se propagar pela mata no entorno, extremamente seca neste período do ano. Depois, o legal é culpar o governo que não protege o meio ambiente.

Tudo isso acontecendo em local amplamente conhecido, de grande trânsito e nada sendo feito. Não se combate a causa, tampouco os efeitos. E assim a cidade centenária segue, aguardando o dia em que será protegida, zelada e desenvolvida para o bem-estar de todos e não apenas em frases e vídeos lindinhos nas redes sociais.

E tenho dito!

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Panoramas centenários - I

Praça Lages Rebelo/Arquivo pessoal.

A mesma praça...

...o mesmo banco [...]

A melancolia da música serve perfeitamente como tema para a praça Lages Rebelo, no centro da cidade. 

A imagem da praça Lages Rebelo, que ilustra este texto retrata muito bem o município: parada no tempo, sem maiores atrativos e ignorada por muitos. Cenário de muitas brincadeiras na infância e outros tantos acontecimentos noturnos, hoje entregue ao ostracismo e relegada ao limbo da utilização como espaço de lazer. Apenas um espaço a ser vencido de um a outro quarteirão. 

Construída em 1975, tem um traçado estranho e pouco convidativo, até mesmo pela pouca cobertura vegetal. De minhas recordações da infância e comparando com o presente, vejo que pouca coisa mudou realmente neste espaço. 

Com o passar dos anos e das administrações a reforma desta praça não foi priorizada. Outras opções de lazer foram ofertadas à cidade e a “pracinha nova” ficou para trás. Desde então, as únicas mudanças vistas se não foram a natural substituição das árvores mortas foram as prosaicas pinturas de cal no meio-fio por ocasião dos festejos religiosos ou quando tinha visita de autoridades; um poste ridiculamente posicionado e uma risível tentativa de paisagismo. Bancos quebrados, plantas malcuidadas, grama seca, só pra ficar em alguns detalhes são parte da desolada paisagem atual. 

Mas não reclame. Do jeito que as coisas acontecem aqui, tivemos sorte de que ela não foi legalmente doada para outro fim. 

E tenho dito!

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O centenário de Esperantina


Minha Esperantina,
Que triste sina
O curral que te originou
Se antes enchia de gado
Hoje, prende eleitor.

Qual destino te aguarda...
Só as doces lembranças
Da História guardada
Ou a triste vivência
Da terra arrasada?

Que memórias mantém 
De seus fundadores?
Nem praça com flores
Porque não convém
Só lembram de quem
Por ti não tem amores
Apenas te querem
Pra rifar sem pudores.

Se por tuas ruas passaram
Pioneiros desbravadores
Hoje, triste sina
Só escuto rumores
Daqueles que querem
Te explorar sem clamores!

Agora, centenária te faz
Com pouco a mostrar
Quem sabe outros 100
Precise alcançar
Pra te livrar, Esperantina
Da pouca memória
De quem por dever
Prometeu sua glória!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

A cidade dividida

 

Imagem: Genilson Castro/Arquivo do Blog.

A cena é inusitada. A cidade, que sempre almejou título de importância na região, de repente, se tornou alvo de disputa de quem faz mais, ou quem atrapalha mais pela simpatia dos elei...digo, cidadãos.

Assistimos diariamente nas mídias sociais a disputa “pra mostrar trabalho”, que dividiu a cidade e as obras nela feitas em obras do deputado e obras da prefeitura. Um faz e o outro também. Só faltou combinar o que fazer. Nesta disputa sobra asfalto e falta o essencial, como o saneamento que seria básico.

Estamos em pleno período da seca, que seria propício para a realização de obras importantes como as galerias da avenida Petrônio Portela. Obra de grande porte, porem invisível aos olhos dos eleitores depois de pronta, deveria ser a prioridade dos digladiadores, obra que mudaria um triste cenário anual, amplamente divulgado nas redes sociais e imprensa. Uma vergonha sem igual.

Enquanto os contendores se esforçam em assumir a paternidade de obras, o cidadão assiste abismado e se pergunta se os dois lados não deveriam lutar pela cidade por inteiro e não a dividir para conquistar aos poucos, por áreas específicas.

Não demora e o inverno chega, com suas chuvas intensas, avenida novamente alagada e as novas ruas asfaltadas sem ligação umas com as outras, pois são “filhas de pais separados”.

E tenho dito!

sexta-feira, 31 de julho de 2020

A pandemia e o comércio local

Imagem: https://forumimobiliario.com.br/


Com todas as restrições impostas à circulação de pessoas pelas ruas, o famoso Fique em Casa, as compras inevitáveis ficariam disponíveis pela internet e, como aqui não há lojas com páginas na rede, se recomendava as compras por redes sociais, uma em especial, por ser mais popular.

Como os fretes nacionais subiram extraordinariamente, ficamos com a opção das lojas locais, que teriam se adaptado à nova realidade e tentavam se livrar da choradeira das vendas fracas e outros chiliques. Tudo bem.

A realidade se mostrou diferente, tentei por inúmeras vezes comprar suprimentos de informática, mas fisicamente as lojas estavam fechadas. Ok. Passei às redes sociais, entrava em contato, aguardava respostas e nada. Alguns ainda se dignavam em responder dias depois, outros, sequer tinham esse trabalho. Com alguns burlando as restrições, se conseguia contato pessoalmente, mas o péssimo atendimento nos dá a certeza de que é melhor pagar um frete estratosférico, a ficar à míngua, mendigando atenção em uma loja para comprar. Outros setores também não se adaptaram às mudanças, com raras exceções, mas, por sorte, o comércio reabriu. Mas ficou a lição: os comerciantes locais precisam melhorar muito para ficarem ruins.

E tenho dito!